sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Balões, ou Ode à Essencia da Humanidade - Capitulo I

Capitulo I


O ano que corre é o de 2037, e a Humanidade está reduzida a cinzas.
O que parecia impossível a algumas décadas atrás é uma realidade... somos poucos, muito poucos, e sempre a ser caçados e em guerra com as máquinas.
A Humanidade, distraída com os seus reality shows, as suas publicidades, as suas bimbys e os seus jogos de futebol, não soube reparar no crescimento de um mal que nos iria exterminar a todos... as Máquinas, em 2015, aprenderam a usar os balões... foi o início do fim.
Não reparamos no inicio, e os videos nos youtubes e afins pareciam engraçados... "Olha o robozeco a fazer um animal de balões, que giro"
Mas, em pouco tempo, e sem que a Humanidade desse por isso, começaram a desaparecer, com mortes muito pouco suspeitas, todos os palhaços e mimos que faziam animais de balões nas ruas e nas festas de criança.
"É uma profissão em extinção", diziam alguns... "coitado, deve ter sido depressão" diziam outros, quando aparecia num rodapé de um jornal local que mais um palhaço aparecia estrangulado por uma girafa de balão... e até os vídeos a ensinar a nobre arte de escultura em balões desapareciam, misteriosamente, da Internet.
Em pouco tempo, já não havia quem fizesse animais, ou outras construções, de balões, e a Humanidade não ligou, porque, afinal, existiam as Máquinas para os fazerem... e faziam-nos tão bem, cada vez mais sofisticados, cada vez mais resistentes...  bonitos, novos, esculturas sem igual...
 E foi o começo do fim... a Humanidade notou muito tarde que os animais de balões, quando feitos de determinada maneira, e com determinada borracha (que apareceu, de repente, como por magia), eram praticamente invenciveis.

Surgiram os animais de balões, depois as esculturas de balões, até casas de balões. E naturalmente, apareceram os tanques de balões e por fim os exércitos de balões, que rodeavam as Máquinas que os criavam, tornavam-nas completamente impermeáveis e indestrutíveis. As balas saltavam e faziam ricochete, as facas e as agulhas não conseguiam rasgar a borracha super-dura. Somos atacados e neutralizados sem dó nem piedade... a Humanidade, em pouco tempo, começou a ser caçada... o fim estava à vista...

Caçavam-nos sem misericórdia... sufocavam-nos com os balões, destruíam as nossas casas com as esculturas de balões, roubavam a nossa água em balões... em poucos anos, quase não havia Humanidade...

Mas, como sempre, a Resistência surgiu... e no fundo, no fundo, uma Gotinha de Sonho e esperança aparecia aqui e ali...

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