terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Abafas-me

 abafas-me

 

Abafas-me

Não vês que quanto mais me apertas mais eu te escapo pelos dedos…

Abafas-me

Não vês que já te dei tudo o que tinha …e agora já nada sou do que pequenos medos…

Abafas-me

Não vês que choro porque já não te sinto e apenas sou lágrimas que fluem sem rumo…

Abafas-me

Não vês que só me tocas porque sabes que me perdeste e que estou etéreo como fumo…

Abafas-me

Não vês que nós já não somos nós…eu sou apenas um pouco de eu e tu és muito de ti… tiras-me da alma a cor…

Abafas-me

Não vês que o amor assim não é amor… apenas é silêncio e dor…

Abafas-me

Não vês que mais nada sou e apenas um triste vácuo fiquei….

Abafas-me

Não vês que já parti e que tudo… mas tudo… te dei…

1 comentário:

Sophie Gaarder disse...

Escreves com a alma acesa de emoções… É algo muito belo!
A repetição das palavras acentua o ritmo dissoluto, iterativo… do poema – tal qual o desabar de um sonho que se liquefaz às mãos que, outrora, o prendiam.
Gosto.

Beijo