sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Amor é como uma Rosa


Quando os poetas de alma doce e romântica de tempos longínquos falavam do Amor, comparavam-no às Rosas.... porque o Amor pode ser como uma Rosa...lindo, sedoso, com um cheiro penetrante, suave, sedutor, que enlouquece os nossos sentidos e nos deixa como a pairar num céu de nuvens cor-de-rosa, que nos transforma em borboletas sorridentes, que esvoaçam num frenesim de cor e sensações de prazer...

Mas a Rosa tem espinhos... espinhos que nos picam quando menos esperamos e que nos fazem recuar ante tal beleza... porque o medo de nos picarmos é por vezes forte demais...

Também o Amor... também este sentimento que leva qualquer um à loucura e à uma multiplicidade de sentimentos de prazer... também o Amor tem espinhos... espinhos que nos provocam medos... medos que nos levam a rejeitá-lo, a negá-lo, a temê-lo, a afastá-lo...

Um desses espinhos na flor do Amor é o frio e cruel sentimento do Ciúme... sim, o Amor gera felicidade, gera loucura, mas também pode criar o Ciúme, o demóniozinho dos olhos verdes... que nos leva à tristeza, ao desespero, nos leva de volta ao medo, a temer que toda a felicidade e loucura do Amor sejam uma ilusão...

E eu já vi a face do Ciúme nos meus olhos.... e não gostei... criou em mim um medo que há muito não sentia... um sentimento de revolta que transformava o meu coração num bloco de gelo vingativo, que me levava a temer o pior, a querer fugir para o escuro, para onde não pudesse ser magoado...para longe do Amor...

Mas eu não quero fugir do Amor... quero abraça-lo, quero senti-lo, quero transformar-me na borboleta que esvoaça sem rumo, que vê o mundo pelos olhos da vida, pelos olhos da luz....

Sim, tenho medo dos espinhos do Amor... mas sei que há algo que afasta de mim o sentimento negro do Ciúme... é a luz da tua voz, o calor do teu olhar, a ternura do teu sorriso, a doce meiguice do teu toque...

Há alturas em que a vergonha surge espontaneamente, e nos obriga a pedir perdão... a pedir que tenhas compreensão pelas inseguranças, pelos medos que os espinhos me criam, pela insegurança das minhas palavras, pelo riso tremulo que esconde os meus sentimentos...

Ás vezes gostava de ser um poeta para poder dedicar-te o mais lindo poema do mundo, pois só este seria digno de passar pelos teus olhos... um poema que falasse de Rosas, de felicidade, de Amor, de ti... de nós...

Mas não sou ... queria ser, mas não posso ser algo que não nasci para ser... só espero que gostes do que sou... e que percebas nos meus actos desajeitados, nas minhas palavras sem sentido, no brilho límpido dos meus olhos, na minha loucura do dia-à-dia, ... que o que sinto por ti, é a mais linda Rosa deste jardim em que vivemos... e que embora os espinhos existam, é fácil esquecê-los e sentir o doce toque das pétalas da Rosa, sem qualquer dor, sem qualquer remorso...

e senti-lo juntos...

Sábado, 27 de Maio de 2000

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